Detalhe do Artigo

Cintilação e efeito estroboscópico
May 28, 2018, 3 p.m.

Cintilação é a percepção, pelo olho humano, das variações luminosas (popularmente conhecida como “pisca-pisca”) provocadas pela flutuação da “voltagem” (tensão de alimentação). Para uma descrição mais técnica encontramos na IEC EN 61000-3-3 “[…] o incômodo subjetivo da cintilação imposta à luz produzida por lâmpadas […] pelas flutuações da tensão de alimentação”.

Nas residências o funcionamento dos condicionadores de ar, elevadores, chuveiros e fornos elétricos podem gerar cintilação visível nas lâmpadas (apenas em algumas ou até em todas). Quando as lâmpadas envelhecem ou se tornam defeituosas desenvolve-se uma cintilação levemente perceptível, especialmente nas extremidades.

Apesar de se tratar aparentemente de um simples desconforto visual, já ficou demonstrado que pode atingir o sistema nervoso central e provocar disfunções neurológicas. No mínimo, a cintilação causa dificuldades para leitura, incômodo visual, dor de cabeça, cansaço visual, estresse mental, perda de concentração, etc.

A cintilação também pode apresentar-se como efeito estroboscópico. Na prática, este efeito poderá originar a sensação de que o movimento de máquinas ou partes delas é mais lento, não existe ou se dá em sentido contrário ao real. Por isso, pode levar a situações de perigo provocado pela mudança da percepção de movimento de rotação ou por máquinas alternativas (de movimento repetitivo).

Além disso, algumas pessoas são suscetíveis a convulsões – convulsão fotoepiléptica ou fotoepilepsia – causadas pela exposição a luzes estroboscópicas, luzes tremulantes, ou efeitos de pisca-pisca – daí o prefixo “foto” – interagindo com os olhos, neurônios e com o sistema nervoso central.

A ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013 em nota no item 4.11 recomenda para evitar estes efeitos: “Isto pode ser alcançado pela utilização de uma fonte elétrica em corrente contínua; pela utilização de lâmpadas em alta frequência (aproximadamente 30 kHz); ou pela distribuição da alimentação da iluminação por mais de uma fase.”
Por M. R. Orrico

Fontes:
– Ambiente de trabalho – Fiequimetal
– Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica – S. M. Deckmann e J. A. Pomilio – DSCE – FEEC – UNICAMP 2
– Estroboscópio – Diana Baptista – Novembro 2012
– ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013 – Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: Interior
– IEC EN 61000-3-3 – Electromagnetic compatibility (EMC) – Part 3-3: Limits – Limitation of voltage changes, voltage fluctuations and flicker in public low-voltage supply systems, for equipment with rated current ?16 A per phase and not subject to conditional connection.

Tags